sábado, 8 de outubro de 2011

Mais escuro dos planetas quase não reflete luz


Planeta reflete apenas 1% da luz de sua estrela. Motivo ainda é mistério para os cientistas

National Geographic | 08/10/2011 07:29

Foto: David A. Aguilar, CFA Ampliar
Planeta gasoso é preto com um toque brilhante de coloração avermelhada
Pode ser difícil imaginar um planeta mais escuro que carvão, mas isso é que astrônomos descobriram na Via Láctea com o telescópio espacial Kepler, da Nasa. Orbitando a cerca de 4,8 milhões de quilômetros de distância da sua estrela, o gigante planeta gasoso chamado TrES-2B é do tamanho de Júpiter, tem uma temperatura de 980 °C e aparentemente não reflete quase nada da luz que chega até ele, de acordo com um novo estudo.

“Sendo menos reflexivo que o carvão ou até mesmo que a tinta acrílica preta mais escura, é o planeta mais escuro já descoberto”, afirmou o principal autor da pesquisa David Kipping, astrônomo do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, em Cambridge, Estados Unidos. E completou: “Se pudéssemos vê-lo de perto pareceria uma bola de gás quase preta, com um toque brilhante de coloração avermelhada – um exoplaneta verdadeiramente exótico”.

Kepler, o detector de planetas da Nasa
A sonda Kepler, que orbita a Terra, foi desenvolvida especificamente para encontrar planetas fora do sistema solar. Mas em distâncias tão grandes – o TrES-2b, por exemplo, está a 750 anos luz de distância – não é tão fácil captar imagens.

Em vez disso, a Kepler usa sensores de luz chamados fotômetros que monitoram continuamente dezenas de milhares de estrelas em busca de um escurecimento regular nelas. Tais variações no brilho estelar podem indicar que há um planeta passando em frente a uma estrela em relação à Terra, bloqueando uma parte da luz da estrela – nesse caso o planeta-carvão, está bloqueando surpreendentemente pouco dessa luz.

Ao observar a TrES-2b e sua estrela, a Kepler detectou apenas um pequeno sinal de escurecimento e brilho, apenas o suficiente para saber que um gigante gasoso parecido com Júpiter era a causa. “Ele representa o menor sinal fotométrico de um exoplaneta que já detectamos”, afirmou Kipping. Quando o planeta preto como carvão passou em frente a sua estrela, a diminuição da luz dela foi “tão pequena quanto a diminuição que enxergamos quando uma mosca de fruta passa em frente ao farol de um carro”.

Escuridão do planeta é um mistério
Modelos de computadores atuais prevêem que planetas quentes como Júpiter – gigantes gasosos que orbitam muito perto de suas estrelas – só podem ser tão escuros como Mercúrio, que reflete cerca de 10% da luz do sol que chega até ele .O TrES-2b, porém, é tão escuro que reflete apenas 1% da luz  de sua estrela, sugerindo que os modelos atuais podem precisar de ajustes.

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“Alguns propuseram que a escuridão pode ser causada por uma grande abundância de sódio gasoso e óxido de titânio”, explicou Kipping. E completou: “Entretanto é mais provável que seja algo exótico que não pensamos antes. É este mistério que faz a descoberta tão interessante”.

O TrES-2b pode inclusive representar uma nova classe de exoplaneta, uma possibilidade que Kipping e seus colegas esperam colocar em teste com ajuda da Kepler, que já detectou centenas de planetas fora do nosso sistema solar até agora.“Com a Kepler descobrindo mais e mais planetas, dia após dia, esperamos poder procurar por planetas semelhantes e descobrir se este é único ou se todos os planetas quentes parecidos com Júpiter são muito escuros”, afirmou Kipping. Enquanto isso, a grande escuridão do novo exoplaneta sugere talvez um apelido engraçadinho para Três-2b. “O mais apropriado fosse Erebus[ deus Grego da escuridão]”, comentou Kipping.

O estudo do planeta preto como carvão foi aceito para publicação no periódico científico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

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